Bandeirantes/MS, 21 de julho de 2026

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Sequestro de Boeing e execução cinematográfica na fronteira de MS: quem é Gerson Palermo

Gerson é apontado como um dos chefões do PCC e tem registros policiais desde o início dos anos 90

Preso nesta terça-feira (26), na Bolívia, o chefão do PCC (Primeiro Comando da Capital) e megatraficante Gerson Palermo, conhecido como ‘Pigmeu’, de 68 anos, acumula condenações que somam quase 126 anos de prisão e figurou por anos como um dos criminosos mais procurados do país.

Palermo é apontado como um dos chefões do PCC e tem registros policiais desde o início dos anos 90. A maior pena do traficante é por um caso histórico: o sequestro de um Boeing 727 da Vasp, em 2000. Na ocasião, Palermo liderou uma quadrilha que tomou o controle do avião após a decolagem em Foz do Iguaçu, fronteira com o Paraguai.

Então, Palermo, que também é piloto de avião, deu as coordenadas e obrigou o piloto a pousar na cidade de Porecatu, interior do Paraná, onde o grupo roubou nove malotes do Banco do Brasil, com cerca de R$ 5,5 milhões.

Palermo, que já havia sido preso em 1991 por tráfico de drogas, foi preso novamente em 29 de agosto de 2000 pelo sequestro do avião. Por este crime, ele foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão. Nessa época, ele já era considerado pela PF como um dos maiores traficantes do país.

Morte cinematográfica na fronteira de MS

Em junho de 2016, um episódio registrado em Pedro Juan Caballero marcou a disputa pelo tráfico de drogas na fronteira de MS com o Paraguai.

O traficante estava em um Hummer blindado e, mesmo assim, ele e seus seguranças foram alvejados por diversos tiros de fuzis AK 47, Mag Antiaérea e metralhadoras após serem interceptados por um grupo de pessoas armadas.

Até então, Palermo era considerado aliado de Rafaat. Porém, um mês após o crime, uma interceptação de áudio gravada no presídio federal de Porto Velho, entre os líderes do Comando Vermelho Fernandinho Beira-Mar e Marcinho VP, revelou que a execução teria sido ordenada por Palermo.

No entanto, Sérgio Lima dos Santos foi o único condenado pela execução, por operar uma metralhadora .50 no crime.

Na conversa entre os líderes do CV, durante um banho de sol no presídio, Beira-Mar revela que o crime teria sido atribuído ao PCC, mas Palermo seria o verdadeiro autor. “Tomaram essa atitude [Palermo e comparsas], mas quem levou a fama foi o pessoal do 15 [PCC]. O Rafaat (…) sempre teve sede de poder. (…) O Siciliano [Palermo] estava junto na caminhada e se uniram lá.”

Alvo da PF e prisão

Após progredir penas e voltar às ruas, Palermo voltou a ser alvo da PF, desta vez no centro das investigações da Operação All In, em que as autoridades o apontaram como piloto e principal operador logístico de organização criminosa que levava grandes volumes de cocaína da Bolívia para o Brasil. A droga era levada até Corumbá e, depois, distribuída pelo Brasil por caminhões.

Na operação, foram mais de 810 quilos de cocaína apreendidos. Palermo foi sentenciado a mais de 59 anos e 9 meses de prisão por tráfico internacional de drogas.

A prisão dele ocorreu em abril de 2017. Palermo cumpria pena na Máxima de Campo Grande até que, durante a pandemia da covid, foi beneficiado com prisão domiciliar.

Fuga pela ‘porta da frente’

Após deixar o presídio ‘pela porta da frente’, horas depois de colocar uma tornozeleira eletrônica, Palermo rompeu o equipamento e fugiu. Desde então, era procurado pelas autoridades brasileiras.

A decisão da prisão domiciliar foi proferida pelo desembargador Divoncir Schreiner Maran, que foi investigado pelo habeas corpus que ‘deu brecha’ para a fuga de Palermo. Em fevereiro deste ano, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) decidiu, por unanimidade, aposentar o desembargador.

Nova denúncia e prisão na Bolívia

Palermo foi denunciado pelo sequestro da própria filha, ocorrido em outubro do ano passado, em Campo Grande. O sumiço de 100 mil dólares teria motivado o crime contra a jovem. Recentemente, ocorreu a primeira audiência de instrução e julgamento do caso, em Campo Grande.

O traficante foi preso na região de Santa Cruz de la Sierra, a 650 km de Corumbá. Ele constava na lista dos criminosos mais procurados no Brasil e a prisão ocorreu em operação conjunta entre a PF e a força de segurança boliviana especializada no combate ao narcotráfico.

Agora, a expectativa das autoridades brasileiras é pela extradição de Palermo ao Brasil.

Diante da captura do narcotraficante, o Jornal Midiamax procurou a defesa de Gerson Palermo, representada pelo advogado Amilton Ferreira juntamente com Rodney do Nascimento. Amilton afirmou que fará uma reunião na quarta-feira (27) para traçar a tese defensiva e aguarda a chegada de Palermo ao Brasil.

“Nós vamos fazer uma reunião amanhã, eu e doutor Rodney, de Minas, para podermos traçar a tese defensiva daqui pra frente. Certamente, ele será extraditado e nós vamos esperar ele chegar até para conversar com ele pessoalmente”, explicou Amilton à reportagem.

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