Bandeirantes/MS, 14 de julho de 2026

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Vizinho diz que ouviu barulho de escavação antes de professora ser encontrada morta no quintal de casa

Jacemir Bueno de Almeida foi preso suspeito de matar e enterrar a esposa, a professora Elisângela Barbosa de Almeida, em Pariquera-Açu (SP).

Um vizinho da professora Elisângela Barbosa de Almeida, a mulher que foi enterrada no quintal de casa em Pariquera-Açú (SP), relatou à Polícia Civil que ouviu o marido da vítima cavando o local dias antes de o corpo dela ser encontrado. No depoimento, o homem disse à corporação que, apesar do barulho, não suspeitou que um crime estava ocorrendo.

O caso aconteceu na residência do casal, no bairro Vila São João, em Pariquera-Açu, no interior de São Paulo. Elisângela foi considerada desaparecida por cinco dias após a irmã dela acionar a Polícia Civil. O marido da vítima, Jacemir Bueno de Almeida, foi preso e confessou o crime.

De acordo com o boletim de ocorrência, um vizinho, que não teve a identidade divulgada, prestou depoimento após a prisão de Jacemir. No relato, o homem disse ter ouvido um barulho de enxada por volta das 3h de terça-feira (21). O som, segundo ele, era similar a alguém escavando o solo.

Ele contou que acordou cedo e estava se arrumando para ir trabalhar quando ouviu o barulho. O homem destacou que estranhou o som por conta do horário, mas não pensou que se tratava de algo grave, ainda mais porque não escutou nenhuma discussão na casa de Elisângela e Jacemir.

Ainda segundo ele, Jacemir agiu normalmente durante os próximos dias. Por conta disso, o vizinho não denunciou a situação à polícia.

Fingiu ser a vítima

g1 apurou que, após agredir e matar Elisângela durante uma discussão, o companheiro permaneceu com o celular dela e enviou mensagens a amigos e familiares se passando pela vítima. O suspeito, inclusive, criou um perfil de casal com um suposto amante.

Os destinatários das mensagens, no entanto, desconfiaram da escrita e do conteúdo enviado destacando que aquela não era a forma que Elisângela escrevia. Na quinta-feira (23), a irmã foi comunicada sobre a situação e fez o registro do desaparecimento.

Em uma das conversas, uma mensagem atribuída à Elisângela diz que ela estaria “vivendo a vida” com um suposto amante em Paranaguá (PR). A Polícia Civil, porém, acredita que a mulher tenha sido morta na madrugada de terça-feira (21).

Confira mensagens entre a ‘vítima’ (🙍🏻‍♀️) e uma amiga (👤):

  • 🙍🏻‍♀️ Oi, [nome da amiga], não estou em Pariquera (SP). Jacemir e eu separamos. Ele me ‘tocou’ de casa (sic). Estou em Paranaguá (PR).
  • 🙍🏻‍♀️ Agora que peguei o celular.
  • 👤 Oi, Li. Sério, e o [nome do filho do casal] meu amor?
  • 🙍🏻‍♀️ Está com ele [Jacemir]
  • 🙍🏻‍♀️ Só peguei umas roupas, sapatos e saí.
  • 👤 Meu Deus, Li. Mas o que houve, meu anjo?
  • 🙍🏻‍♀️ Eu estava me relacionando com outra pessoa há algum tempo. Com a troca de telefone, restaurou as mensagens e ele viu.

Perfil falso

Jacemir também teria criado um perfil falso de casal, entre Elisângela e o suposto amante. Na biografia da página, ele escreveu: “Namorando, espero que este novo amor me liberte”, além de publicar uma foto com a legenda “recomeçar”.

Uma familiar da vítima entrou em contato por meio da rede, mas recebeu a resposta de que seria bloqueada. Ela também solicitou que Elisângela mandasse um áudio, para comprovar a identidade dela, mas não teve resposta. Procurada pelo g1, a defesa de Jacemir ainda não se manifestou.

Depoimento inconsistente

No dia em que foi comunicado o desaparecimento de Elisângela, Jacemir foi ouvido na Delegacia de Pariquera-Açu. Ele disse que, na quarta-feira (22), a companheira havia saído de casa possivelmente com um amante e levou os seus pertences.

Durante o depoimento, porém, o suspeito mencionou que um cano havia estourado na residência. O fato chamou a atenção dos policiais, tendo em vista que o cano estourado não tinha relação com o desaparecimento.

Os agentes foram ao imóvel e, após acionarem o Corpo de Bombeiros, encontraram o corpo da mulher enterrado.

Polícia

Ainda segundo o registro, o delegado Eduardo Pinheiro Alves Ferreira pediu a prisão preventiva do suspeito por feminicídio majorado e violência doméstica. Durante audiência de custódia, no sábado (25), o pedido foi aceito pela Justiça.

🔎 De acordo com o BO, o feminicídio foi considerado ‘majorado’ porque o filho do casal estava na residência no momento do crime. A corporação destacou que ele estava na parte de baixo da residência, que é um sobrado.

Informalmente, Jacemir confessou o crime aos policiais e disse que agrediu a mulher com um tapa no rosto durante uma discussão. Segundo o relato, ela caiu ao chão desacordada e começou a convulsionar. O homem acrescentou que ficou desesperado com a situação e decidiu enterrá-la.

No local, os policiais encontraram o celular da vítima e apreenderam um computador de mesa, um notebook e dois celulares que pertencem ao suspeito.

O caso foi registrado como ocultação de cadáver, violência doméstica e feminicídio na Delegacia de Pariquera-Açu, que segue com as investigações para esclarecer a motivação do crime.

Despedida

Em nota publicada nas redes sociais, a Prefeitura de Pariquera-Açu lamentou a morte de Elisângela, que era funcionária pública municipal. Segundo o município, a mulher “muito se dedicou à Creche Maraci Hernandes do Amaral”.

A Diretoria de Ensino de Registro, da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), também publicou um comunicado informando que recebeu “com profundo pesar” a notícia da morte da professora, que atuava na EE Prof. Estephano Orlando Paulovski.

“A Chefe de Departamento – Dirigente Regional de Ensino, Professora Claudia Ferreira Pitsch, e toda a Equipe URE-REG, se solidarizam com familiares, amigos e equipe escolar neste momento de dor”, afirmou.

A nota publicada nas redes sociais destacou que “a lembrança de sua dedicação e compromisso com a educação permanecerá viva na memória de todos que tiveram o privilégio de conviver com ela”. Elisângela foi velada e enterrada no domingo (26), no Cemitério Municipal.

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