Bandeirantes/MS, 15 de julho de 2026

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Premeditado: motociclista que estuprou criança usava horário de almoço para importunar mulheres

Motociclista estava com a placa tapada. (Reprodução, Fala Povo)

Criminoso foi solto da prisão em novembro de 2025 e trabalhava em uma loja de estética automotiva

O motociclista de 36 anos, preso por estupro contra uma criança de 9 anos, na sexta-feira (9), usava o horário de almoço do trabalho para importunar mulheres no bairro Coronel Antonino, em Campo Grande.

O criminoso foi preso pelo Batalhão de Choque da PM (Polícia Militar) no local de trabalho, horas depois da tentativa de estupro contra a criança. O caso repercutiu na imprensa local e nas redes sociais, deixando a população em choque.

Segundo explicou o subcomandante do Batalhão de Choque, major Cleyton, durante coletiva de imprensa neste sábado (10), o criminoso trabalhava em uma loja de estética automotiva e, durante o horário de almoço, saía pelas ruas da cidade para importunar mulheres e tentar estuprá-las. Ele pilotava uma motocicleta com os números da placa escondidos com fita isolante, usava um capacete com adesivos de flores e o uniforme da loja.

“O padrão dele era sempre atuação no horário de almoço. Então, ele saía para almoçar, mas, ao invés de fazer o horário de almoço, fazia essa circulação para poder cometer essa importunação sexual e tentativa de estupro. […] era algo bem aleatório, aquela questão do princípio da oportunidade. Se ele visse alguma mulher que ele sentisse atração, parava e já começava a praticar essa importunação sexual e até mesmo a tentativa de estupro”, detalhou o subcomandante do batalhão.

Além disso, o autor estava nas ruas recentemente, pois ganhou liberdade da prisão em novembro de 2025. Ele estava preso por um crime semelhante, ocorrido em 2016, e também era acusado de outro delito praticado no ano seguinte.

“Ele parava em frente ao estabelecimento da vítima e se masturbava para ela. A pessoa passava, ele chamava e praticava o ato. Em 2017, ele se masturbou para uma mulher na rua e foi para cima dela, tentando agarrá-la”, falou o major Cleyton.

As investigações que levaram à prisão do criminoso reforçam que ele agia de forma premeditada. “Sem dúvidas. É visível que ele saía única e exclusivamente para o cometimento desse delito, ele tinha total dolo e total ciência do crime que estava cometendo. Tanto que ele tapava a placa; foi apreendido, inclusive, o rolo de fita isolante que ele usava para deixá-la ilegível”, explicou o major, durante a coletiva de imprensa.

Tentativa de estupro contra criança e importunação contra adolescente no mesmo dia


No mesmo dia em que o homem tentou estuprar a criança de 9 anos no bairro Coronel Antonino, ele importunou sexualmente uma adolescente de 17 anos. Contudo, antes disso, na quarta-feira (7), uma mulher de 25 anos foi vítima do mesmo motociclista. Para ela, o criminoso fez gestos como se estivesse se masturbando, na Rua Espírito Santo, na região central de Campo Grande.

No caso da criança, ocorrido na sexta (9), o homem parou a motocicleta enquanto ela abria o portão de casa, fez perguntas obscenas e levantou a saia da vítima.

“A criança não entende muito, ele aproxima, levanta a saia, a criança dá um tapa nele e ele sai em fuga. A criança entrou e falou para os pais”, detalhou o subcomandante do Batalhão de Choque.

Major Cleyton, subcomandante do Batalhão de Choque. (Leonardo de França, Midiamax)


Pouco tempo depois, ainda no horário de almoço, o criminoso fez outra vítima. Desta vez, ele fez perguntas de cunho sexual para uma adolescente e mostrou o órgão genital. Em seguida, a menor começou a gritar, e o homem foi embora.

Com as denúncias, equipes do Batalhão de Choque iniciaram diligências e, logo identificaram a placa, motocicleta e o local de trabalho do criminoso. Lá, ele foi preso, ocasião em que confessou os crimes e admitiu ter removido os adesivos do capacete usado nos delitos. Também, o homem afirmou ter jogado a camiseta, utilizada nos fatos, no lixo.

“A gente deu uma atenção grande a esse tipo de delito porque era evidente, através da análise do perfil do criminoso, que ele iria ser contundente, sempre estar praticando. E é um crime que gera comoção social e indignação muito grande. A gente que é pai de família, marido, avós, ainda mais com criança de 9 anos. Conseguimos, graças a Deus, ao trabalho policial e a toda sociedade e comunidade campo-grandense, que apoiou e tem confiado no trabalho da polícia, sobretudo no trabalho do Batalhão de Choque. Essa participação da sociedade no combate ao crime é fundamental”, destacou o major Cleyton.

‘Não queria ser ressocializado’


Ainda durante coletiva de imprensa na manhã deste sábado (10), o subcomandante do Batalhão de Choque revelou que o criminoso integrava o programa de ressocialização. Isso porque ele havia saído da prisão há poucos meses e estava em regime aberto.

“É uma atitude de uma conduta até que se espera do próprio empregador dele confiar e querer ressocializar o jovem. Mas, infelizmente, esse criminoso em especial demonstrou que não queria ser ressocializado, não queria ser reintegrado à sociedade”, pontuou o major.

Há possibilidade do surgimento de novas vítimas do mesmo criminoso, sejam crianças, adolescentes ou adultas. Por isso, a polícia pede que, se alguém reconhecer o autor ou se lembrar de uma situação semelhante, principalmente na região do Coronel Antonino, em Campo Grande, vá até a delegacia mais próxima para passar pelo procedimento de reconhecimento.


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