Bandeirantes/MS, 15 de julho de 2026

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Policiais recrutados para contrabando são presos dentro de delegacias em Campo Grande

Policiais são alvos da Operação Iscariotes, que investiga importação fraudulenta de eletrônicos

Delegacias de Campo Grande e do interior foram alvos da Operação Iscariotes, deflagrada pela PF (Polícia Federal) e Receita Federal na manhã desta quarta-feira (18). A operação visa reprimir a atuação de uma organização criminosa que recrutava policiais para o contrabando de eletrônicos.

Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, entre os 90 mandados expedidos pela Justiça Federal, dois foram cumpridos em delegacias — sendo um policial preso em uma unidade de Campo Grande e outro em Sidrolândia. Um condomínio residencial de luxo, localizado nas proximidades de um shopping da Capital, também foi alvo dos mandados.

Em Mato Grosso do Sul, as equipes cumprem mandados em Campo Grande e Dourados, sendo alguns em residências de policiais. Em Minas Gerais, estado que recebia os eletrônicos contrabandeados, são alvos os municípios de Belo Horizonte, Vespasiano, e Montes Claros.

Mandados

A Operação Iscariotes prendeu quatro pessoas preventivamente, suspendeu dois investigados das funções públicas e cumpriu 31 mandados de busca e apreensão. Outro investigado também colocou tornozeleira eletrônica e seis tiveram o porte de arma de fogo suspenso.

Além dos mandados de busca, das prisões e suspensões de porte de arma, 12 pessoas físicas e jurídicas tiveram R$ 40 milhões bloqueados. Ao menos 10 imóveis e 12 veículos foram sequestrados e seis pessoas jurídicas tiveram as atividades suspensas.

A operação contou com apoio das corregedorias da PRF (Polícia Rodoviária Federal), da PM (Polícia Militar), da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul.

Investigações

A organização criminosa é especializada na importação fraudulenta de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado. Os eletrônicos eram importados sem documentação fiscal e sem a regularização dos órgãos de controle aduaneiro.

Após ingressarem com os produtos no Brasil, os criminosos distribuíam os eletrônicos, muitos fracionados, escondidos em cargas lícitas, para Campo Grande e outras cidades do país, especialmente em Minas Gerais. A organização criminosa usava veículos adaptados com compartimentos ocultos para facilitar o transporte e a distribuição dos eletrônicos.

Os criminosos também contavam com a participação de agentes vinculados a órgãos de segurança pública, alguns aposentados e outros da ativa, que usavam de suas funções para favorecer a atuação do grupo.

Os agentes forneciam e monitoravam informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais e também atuavam no transporte das mercadorias. Durante as investigações, vários criminosos foram presos em flagrante, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais.

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