Produção ilegal utilizava garrafas recicladas, ingredientes químicos e rótulos falsos em Terenos (MS); dono foi preso em flagrante.
Uma funcionária da fábrica clandestina de bebidas alvo da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon) revelou detalhes sobre o funcionamento do esquema em Terenos, Mato Grosso do Sul. O local foi interditado novamente na quinta-feira (6) após denúncias de que a produção ilegal havia sido retomada.
Segundo o depoimento, as garrafas de vidro eram recicladas, com os rótulos originais retirados. Em seguida, eram lavadas em tambores com água e detergente e estocadas sem as mínimas condições de higiene. Depois de limpas, recebiam novos rótulos de marcas conhecidas e eram enchidas por uma máquina com bebidas produzidas no próprio local.
De acordo com a funcionária, as misturas envolviam essência de vinho, ácido orgânico, ácido cítrico anidro, sódio e açúcar resultando em bebidas como vinho e vodka aromatizada. O local não possuía autorização para funcionar e tampouco apresentou notas fiscais.
Durante a fiscalização, quatro mulheres trabalhavam lavando garrafas recicladas e aplicando novos rótulos de vodka. Foram encontradas garrafas higienizadas apenas com detergente, produtos armazenados sem condições sanitárias e equipamentos em péssimo estado.
As bebidas prontas estavam sobre a esteira do “forno”, uma máquina usada para embalar fardos com seis unidades. Parte da produção já havia sido enviada para venda. O dono da fábrica negou as acusações, mas foi preso em flagrante e levado à sede da Decon, em Campo Grande.
A operação reforça os riscos do consumo de bebidas falsificadas, que podem conter substâncias tóxicas e representam perigo à saúde pública.



