(Foto: internet)
Mudanças em secretariado e obras que saíram do papel também marcaram o ano, permeado de fatos que devem impactar o pleito de 2026
O ano de 2025 foi marcado por diversas entregas e lançamentos, mas também por crises. Nesta reportagem da série da retrospectiva do Jornal Midiamax, relembre as obras, os projetos anunciados, as mudanças nos secretariados e mais problemas envolvendo o Consórcio Guaicurus.
A Prefeitura de Campo Grande entregou obras aguardadas como a reforma de terminais e recapeamento de avenidas. E o município já prepara um pacote milionário para os próximos anos.
Por sua vez, o Governo do Estado anunciou projetos grandiosos, como uma nova indústria para o interior, obras nas cidades e um novo modelo de gestão para o Hospital Regional Rosa Pedrossian, na Capital.
Secretários entraram e saíram do Paço Municipal e do Parque dos Poderes, e uma “junta interventora” entrou na Sesau. No meio disso tudo, o Consórcio Guaicurus seguiu polemizando, chegando até a parar a cidade por algumas horas.
Aguardadas, obras transformaram pontos movimentados da Capital
Em abril de 2025, a prefeitura de Campo Grande concluiu o projeto de reforma dos terminais de ônibus com a entrega da revitalização do General Osório e do Nova Bahia. A modernização beneficiou os quase 130 mil usuários que passam por esses locais todos os dias.
“Essa foi a primeira vez que a Prefeitura promoveu uma transformação tão significativa nos terminais de ônibus da cidade. O objetivo é melhorar o dia a dia da população que utiliza o transporte público. Focamos em estruturas mais seguras, acessíveis e acolhedoras”, disse a prefeita Adriane Lopes naquele 9 de abril.
Os terminais passaram por uma série de melhorias, como pintura completa, reforma das redes elétrica e hidráulica, substituição de telhas e calhas, instalação de piso e mapas táteis, bicicletários, fechamento com gradis e construção de novas guaritas. Houve também a implantação de postos da Guarda Civil Metropolitana para garantir a segurança dos espaços.

Terminal Nova Bahia. (Arquivo, Jornal Midiamax)
Demanda mais comum dos moradores, o asfalto avançou no bairro Nova Lima, o mais populoso da Capital. “É uma obra pesada, uma região com declive na drenagem. Estamos terminando o Nova Lima e já temos o planejamento de ir para o Jardim Colúmbia na sequência, com recursos que estamos em busca. Fizemos um planejamento de entregar nas sete regiões”, disse a prefeita em 18 de agosto.
Em agosto de 2025, outra entrega esperada foi feita: a recuperação da Avenida Duque de Caxias. “Essa obra da Duque de Caxias foi a primeira obra onde o governador Eduardo Riedel se dispôs a nos ajudar assim que eu assumi a gestão e hoje eu estou muito feliz em poder entregar para os campos-grandenses”, afirmou Adriane em 22 de agosto.
Depois de quatro anos, a Vila dos Idosos foi entregue no dia 29 de agosto. O condomínio para pessoas com mais de 60 anos tem 40 apartamentos com 33,70 m², com sala integrada à cozinha, área de serviço e um quarto com banheiro.
O empreendimento fica localizado na esquina da Avenida Fábio Zahran com a Avenida Fernando Corrêa da Costa, perto do Parque Florestal Antônio de Albuquerque, o Horto Florestal.
Pavimentação no interior, escola e ‘novo’ HRMS: o que 2025 trouxe para o futuro
Além de entregar obras emblemáticas, a prefeita Adriane Lopes anunciou novos investimentos. Em outubro de 2025, foi lançada uma nova escola em tempo integral na região do Jardim Centro-Oeste, área sul de Campo Grande.
Serão 550 novas vagas na Reme (Rede Municipal de Ensino). A nova escola será construída em um terreno localizado no Jardim Paris, na Rua Gumercindo Leite, esquina com a Rua Patrocínio. O recurso é proveniente do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), com valor estimado de R$ 11.954.073,31.
Ao todo, serão construídas 13 salas de aula. Quando for concluída, a unidade abrirá 550 novas vagas na Reme (Rede Municipal de Ensino).
Do Parque dos Poderes, os anúncios começaram no segundo semestre. Em abril, o governador Eduardo Riedel (PP) anunciou o projeto de PPP (Parceria Público-Privada) do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, fato que se consumou a partir de setembro.
O projeto envolve a construção de um prédio anexo e a reforma dos edifícios atuais e a transferência dos serviços não ligados à assistência médico-hospitalar, por meio de concessão administrativa no período de 30 anos, com investimentos privados que alcançam R$ 952 milhões em reformas e construção e 4,7 bilhões na operação de serviços de apoio ao longo do período de contrato.
Além de modernizar a estrutura e ampliar a capacidade de atendimento, a concessão permitirá ao Poder Público focar em administrar a qualidade dos serviços de saúde prestados à população sul-mato-grossense.
O leilão foi realizado em novembro, e foi vencido pela Construcap CCPS Engenharia e Comércio, cuja proposta foi de R$ R$ 15.909.279 para futuramente administrar parte do hospital. Porém, as obras só devem começar em um ano, no fim de 2026. As despesas públicas com a PPP serão cobertas com um empréstimo de US$ 80 bilhões.

Maquete mostra como deve ficar o hospital após a ampliação. (Foto: Divulgação, EPE-MS)
Também em novembro, a prefeitura da Capital anunciou um projeto de R$ 40 milhões para recapeamento de vias. Serão sete contratos, ou seja, cada empresa vencedora ficará responsável por uma das regiões da Capital, seja Centro, Segredo (norte), Prosa (leste), Bandeira (sudeste), Anhanduizinho (sul), Lagoa (sudoeste) e Imbirussu (oeste).
Esse projeto integra um grande pacote de obras que soma R$ 544 milhões. Com esses recursos, repassados pelo governo federal, serão asfaltados 38% das vias não pavimentadas em 33 bairros de Campo Grande. A Capital tem 1.050 km de ruas sem asfalto e a previsão é pavimentar mais de 400 km até o fim de 2028.
As obras devem começar em abril de 2026. Após um ajuste fiscal neste primeiro ano do segundo mandato, a prefeita disse que foi possível voltar a investir. “Neste primeiro ano, ajustamos a máquina e fizemos os cortes necessários. Agora, cada economia será reinvestida no futuro de Campo Grande”, afirmou.
O mês de novembro ainda teve espaço para o anúncio do pacote de quase R$ 1 bilhão em obras estaduais. O Governo do Estado obteve autorização para um empréstimo de R$ 950.000.000 junto ao Banco do Brasil. O prazo para pagamento é de 17 anos, com juros de 1%.
Secretariado mudou na Capital e no Estado, com foco em 2026
O primeiro escalão de Adriane e Riedel teve mudanças. Enquanto a prefeita estava no primeiro ano do segundo mandato, o governador preparava a equipe que vai seguir até 2026, último ano do primeiro mandato.
Em fevereiro, Adriane trocou o comando do IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande). Elza Pereira deu lugar ao ex-vereador Marcos Tabosa. Já em novembro, a “dança das cadeiras” foi na Segov (Secretaria de Governo e Relações Institucionais): o titular Youssif Domingos saiu e deixou a vaga para o adjunto Ulisses Rocha.
Já em outubro, começaram as movimentações no governo. O foco é alinhar o secretariado que vai seguir até o fim de 2026, ou seja, que não vai participar da campanha eleitoral.
Titular da Casa Civil, Eduardo Rocha confirmou a saída rumo à disputa por uma das 24 vagas de deputado estadual. O adjunto Walter Carneiro Júnior logo foi citado como sucessor, o que acabou confirmado.

Gestora coordenadora do comitê da Sesau, Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli. (Foto: Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)
Saúde da Capital perde secretária e ganha comitê gestor
Entre as mudanças no primeiro escalão de Campo Grande, uma marcou profundamente o ano. A secretária municipal de Saúde, Rosana Leite, foi exonerada, e viu entrar no gabinete um grupo de seis pessoas, em setembro de 2025.
Rosana estava no cargo desde fevereiro de 2024. “A medida administrativa faz parte do processo de reformas iniciado pela atual gestão, a partir da identificação de ações necessárias para a melhoria no desempenho e eficiência dos serviços prestados à população”, informou a prefeitura em nota à época.
O comitê gestor da Sesau é liderado por Ivoni Nabhan, ex-secretária de Saúde de Iguatemi. O grupo ainda tem secretários e outros servidores.
- Ivoni Nabhan: Gestora Coordenador
- Catiana Sabadin, secretária especial de Planejamento e Parcerias Estratégicas: Gestora de Planejamento e Execução Estratégica
- Andréa Alves, secretária municipal de Administração e Inovação: Gestora Jurídica
- Isaac de Araújo, secretário-adjunto municipal de Fazenda: Gestor de Finanças e Orçamento
- Vanderlei Bispo, diretor executivo do Consórcio Central de Municípios: Gestor Administrativo
- André Brandão, secretário-executivo de Licitações e Contratos: Gestor de Contratação
O grupo atuará por seis meses. “Vamos levantar onde estão as dificuldades e promover reestruturação em todas as áreas, em todas as demandas: medicamento, estruturas, RH, gestão de pessoas. Essas são as nossas prioridades”, garantiu Ivoni ao assumir a função.
Para conseguir mais dinheiro público, Consórcio Guaicurus forçou aumentos na tarifa e até greve
O Consórcio Guaicurus concessionária que opera o sistema de transporte coletivo de Campo Grande continuou a colocar a própria má gestão contra a cidade. A “fome” por recursos públicos levou a uma paralisação de funcionários que parou Campo Grande por um dia.
Em janeiro, o grupo de empresas de ônibus iniciou a busca de imigrantes venezuelanos para trabalhar. Com cada vez mais motoristas saindo, a alternativa que restou foi essa. Dois meses depois, montou uma base em Roraima para recrutar os estrangeiros.
Ainda em janeiro, o Consórcio obteve decisão favorável da Justiça para o reajuste da tarifa. Assim, o município fixou a tarifa em R$ 4,95, colocando o passe campo-grandense como o 11º maior entre as capitais brasileiras.
Insatisfeita, a concessionária continuou pedindo mais. Obteve outra liminar para aumentar a tarifa técnica aquela paga pelo município, no caso de servidores, por exemplo para R$ 7,79. Porém, a prefeitura aumentou para R$ 6,57.
O que os empresários não contavam era uma investigação na Câmara Municipal. Depois da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) expor mais problemas, o vereador Maicon Nogueira (PP) lançou uma petição pública para a intervenção no Consórcio.

Garagem do Consórcio Guaicurus, em Campo Grande. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)
A possibilidade de perder a concessão bilionária não assustou o grupo. Em outubro de 2025, Campo Grande parou por conta de uma paralisação dos motoristas. Naquele 22 de outubro, motoristas ficaram parados por pelo menos duas horas.
Conforme o presidente do STTCU (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande), Demétrio Freitas, o Consórcio alegava falta de dinheiro e não tinha previsão de pagamento. Depois de pressionar a prefeitura, houve um repasse e enfim a folha salarial foi quitada.
Um dia depois da greve, o Jornal Midiamax denunciou o modus operandi dos empresários: em conluio com o sindicato, greves “fakes” eram realizadas para conseguir mais repasses de recursos públicos.
O verdadeiro esquema de ‘extorsão velada’ implicaria donos dos ônibus, sindicalistas e contaria até com a conivência de representantes do poder público.
“Um movimento legítimo a gente fica sabendo antes, discute, ouve ao menos rumor. Mas, aqui, a gente chega pra trabalhar normalmente e é avisado pelos chefes, já na garagem, que é pra segurar os carros. Se isso não é armação, eu não sei o que é. Não sei quem teria que investigar isso, mas está escancarado e ninguém faz nada”, revela motorista.
Segundo os motoristas que não concordam com a postura do Sindicato, a manobra é pensada para funcionar como um recurso de pressão. “É igual uma extorsão velada, sabe? Mas a gente acha que tá todo mundo envolvido. Parece que eles combinam entre eles pra fazer um auê e ter clima pra soltarem mais grana”, resume ex-funcionário que chegou a integrar a diretoria do STTCU.
Os sindicalistas negam. Acusado de peleguismo, o STTCU garante que a entidade recebeu muita pressão da categoria, depois da paralisação de 22 de outubro.
Depois da denúncia repercutir, o MPT (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) abriu investigação contra o Consórcio Guaicurus por suposta prática de locaute. Foi instaurado procedimento preparatório, que é uma investigação inicial para levantar informações e provas para subsidiar um possível inquérito trabalhista contra o Consórcio Guaicurus.
“Os fatos narrados configuram afronta ao Ordenamento Jurídico e violação a direitos difusos e coletivos dos trabalhadores, viabilizando a intervenção do Ministério do Trabalho“, diz o documento do MPT. A denúncia foi formalizada pelo vereador Maicon Nogueira (PP).
Como se não bastasse, o Consórcio voltou a atrasar o adiantamento salarial em novembro, mas pagou dias depois. Porém, anunciou crise financeira e nova ameaça de atrasos. Esta é uma tensão provocada pelas empresas de ônibus que deve se desenrolar em 2026.



