O Consórcio Guaicurus voltou a informar que poderá atrasar o pagamento dos salários dos colaboradores, aumentando o clima de insegurança financeira entre os trabalhadores do transporte coletivo de Campo Grande. O sindicato afirma que, se não há recursos nem para o pagamento do vale, a situação é ainda mais grave para o restante das obrigações.
Tradicionalmente, o vale dos funcionários é pago no dia 20 de cada mês. Porém, em dezembro, a data coincide com o prazo para depósito do 13º salário. O pagamento da folha salarial, que deveria ter ocorrido na sexta-feira (5), também não foi realizado.
De acordo com o Consórcio, não há recursos financeiros suficientes para quitar o 13º salário nem o pagamento dos 1.100 funcionários.
Reunião marcada para segunda-feira
O presidente do STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande), Demétrio Freitas, afirmou ao Jornal Midiamax que uma reunião será realizada na segunda-feira (8) com representantes da empresa. O objetivo é entender a real situação financeira.
“Vamos conversar e entender, porque estavam atrasando o vale, agora atrasaram o pagamento. A situação é insustentável, os trabalhadores estão revoltados”, disse o presidente.
Freitas ressaltou ainda que, caso o pagamento não seja efetuado, a greve poderá ser oficialmente convocada: “Faremos por meio de publicação de edital, tudo dentro dos conformes”.

Motivo do atraso
A empresa, que já faturou mais de R$ 1,8 bilhão desde que assumiu o transporte público, afirma que a falta de repasses do Poder Público é a principal razão das dificuldades financeiras. O Consórcio frequentemente recorre à Justiça para exigir os repasses.
Além disso, o sistema de transporte coletivo também recebe receitas oriundas de tarifas pagas pelos usuários e de publicidade veiculada nos ônibus.
A empresa considera a situação crítica e solicita ação urgente das autoridades para regularizar os supostos débitos. Um pedido de intervenção no transporte público foi encaminhado à Prefeitura, impulsionado por moradores que pedem uma gestão mais eficiente.
Risco de interrupção do serviço
No comunicado interno, o Consórcio alerta que, se a situação não for regularizada, poderá haver paralisações no serviço, como a registrada no dia 22 de outubro, quando motoristas interromperam as atividades por cerca de duas horas devido ao atraso no vale salarial.
Denúncias e crise no transporte
Reclamações sobre o serviço são recorrentes, incluindo atrasos, superlotação e condições precárias dos ônibus. Denúncias recentes indicam que o Consórcio teria incentivado paralisações para pressionar o repasse de verbas públicas, o que levou o Tribunal Regional do Trabalho a abrir investigação por possível prática de locaute.



