Bandeirantes/MS, 15 de julho de 2026

Redes Sociais

Campo Grande em Alerta

Justiça pode suspender gestão de Adriane Lopes após Ação Popular que denuncia supostos desvios bilionários

Campo Grande (MS) — Um processo de grandes proporções sacudiu o cenário político sul-mato-grossense nesta semana. A Justiça da Fazenda Pública de Campo Grande recebeu, na tarde de 5 de outubro, uma Ação Popular movida pelo advogado e cidadão Corsino Somma (OAB/MS 27.204), que pede a suspensão imediata de atos administrativos da atual gestão municipal e apuração de supostos danos bilionários ao erário público.

A ação — fundamentada no artigo 5º, inciso LXXIII da Constituição Federal e na Lei nº 4.717/1965 (Lei da Ação Popular) — tem como alvos a prefeita Adriane Lopes, a secretária municipal de Finanças Márcia Helena Hokama, além de seus familiares e outros agentes públicos, citados como beneficiários de pagamentos irregulares e acúmulo patrimonial incompatível com a renda declarada.

O que pede o processo

O pedido central é a concessão de tutela de urgência — medida liminar que, se deferida nas próximas horas, pode suspender atos administrativos e contratuais da gestão municipal até que as denúncias sejam apuradas.
Segundo o autor, haveria “indícios concretos de irregularidades” e pagamentos extraordinários na Secretaria de Finanças, inclusive “transferências milionárias para contas de familiares” e compra de imóveis de alto padrão incompatíveis com os rendimentos públicos.

O suposto dano

A causa foi avaliada em R$ 2 bilhões, valor estimado das perdas ao patrimônio público municipal.
O dossiê anexado ao processo menciona reportagens de veículos locais — como Campo Grande News, O Jacaré e Midiamax — que relatam o crescimento expressivo da folha de pagamento e o pagamento de “extras” e “honorários” a servidores ligados à pasta de Finanças.

Consequências jurídicas e políticas

Se o juiz responsável entender que há verossimilhança nas provas e conceder a liminar, os efeitos imediatos podem incluir:
• Suspensão de atos administrativos e pagamentos sob investigação;
• Afastamento cautelar de gestores ligados à Secretaria de Finanças;
• Bloqueio de bens e contas dos denunciados;
• Remessa de cópia ao Ministério Público e ao GAECO para aprofundamento da investigação.

Fontes jurídicas avaliam que a tutela de urgência poderá abrir caminho para uma crise institucional dentro do Paço Municipal, especialmente se houver afastamento de membros do alto escalão da administração. A decisão poderá ser analisada ainda nesta semana.

O outro lado

Até o fechamento desta edição, a prefeita Adriane Lopes e a secretária Márcia Hokama não haviam se manifestado oficialmente. A Procuradoria do Município deverá ser intimada para apresentar defesa no prazo legal.

A Prefeitura de Campo Grande, segundo dados oficiais, administra um orçamento de R$ 6,8 bilhões em 2025, com R$ 253 milhões mensais em gastos de pessoal — números que colocam a Secretaria de Finanças no centro das decisões sobre o destino dos recursos públicos da capital.

O que esperar nas próximas horas

Caso o juiz defira a tutela pedida, os efeitos políticos serão imediatos:
• A gestão poderá ficar sub judice, com atos suspensos até decisão final;
• O caso deve provocar reação na Câmara Municipal, que já analisa pedidos de CPI;
• E o Ministério Público Estadual poderá avançar com investigações patrimoniais sobre os citados.

Especialistas em direito público avaliam que esta pode ser a ação popular de maior impacto da década em Mato Grosso do Sul, tanto pelo volume de recursos envolvidos quanto pela repercussão institucional que tende a atingir os três poderes locais.

Campo Grande, 7 de outubro de 2025
Redação Política – Especial para o Jornal da Capital

Facebook
Twitter
WhatsApp

Leia Também