Bandeirantes/MS, 16 de julho de 2026

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‘Aliado’ do comércio em Campo Grande, Pix entra na mira de investigação do governo dos EUA 

Cliente realiza compra em comércio por meio de Pix. (Foto: Madu Liveramento, Jornal Midiamax)

Modalidade é preferência de uso entre sul-mato-grossenses e soma mais de 800 milhões de chaves ativas no Brasil

Na mira dos EUA, a modalidade de pagamento via PIX é alvo de investigação em processo aberto pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos). Divulgado na noite desta terça-feira (15), a apuração sobre suposta ‘prática desleal’ por parte do governo brasileiro, a pedido do presidente americano Donald Trump, terá audiência pública marcada para acontecer em setembro deste ano. 

Conforme o relatório preliminar da USTR, o governo norte-americano acusa o Brasil de adotar ‘práticas desleais’ em serviços de pagamentos eletrônicos. Apesar do documento não citar especificamente o Pix, uma das linhas de investigação aborda ‘serviços de comércio digital e pagamento eletrônico’, incluindo serviços do governo, sendo que a modalidade representa o único sistema da instituição voltado a esta finalidade. 

O documento ainda inclui outros tópicos de investigação, como: pirataria, em que faz menção à Rua 25 de Março, um dos maiores centros comerciais da cidade de São Paulo (SP); tarifas protegidas sobre produtos americanos (como o etanol); corrupção, desmatamento; e restrições à transferência nacional de dados. 

Por que o Pix virou alvo do governo dos EUA? 

A principal motivação para colocar o Pix na ‘berlinda’, está em uma suposta vantagem concedida pelo governo brasileiro ao modelo de transação. Conforme justifica a USTR, a modalidade teria sido estruturada com intuito de beneficiar serviços locais, causando prejuízos a soluções de pagamento oferecidas por empresas norte-americanas.  

Dessa forma, o governo norte-americano alega estar sendo prejudicado pelo caráter gratuito, instantâneo e massivo do Pix, ocasionando em uma mudança estrutural no setor de pagamentos, reduzindo receitas de operadoras de cartão, como Visa e Mastercard, e de sistemas privados que cobram taxas.

A reportagem procurou o Banco Central, bem como a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), para solicitar um posicionamento, referente à investigação por parte do governo americano, mas não obteve retorno até a publicação da matéria. 

Pix liderou transações em 2024

Conforme dados disponíveis no Portal de Dados Abertos do BC, nas seções ‘Estatísticas de Pagamentos de Varejo e Cartões’, o Pix foi a modalidade de pagamento que mais cresceu em número de transações em 2024, registrando alta de 52% e participação de 47% no total de pagamentos eletrônicos no último trimestre. 

Já em relação aos cartões, 2024 teve 235 milhões de cartões de crédito ativos (+14%), enquanto os pré-pagos somaram quase 74 milhões (+9%). No caso dos cartões de débito houve queda de 5%, passando de 162 milhões para 154 milhões.

Modalidade é preferência em MS

Em quatro anos desde seu lançamento, o Pix se tornou o meio de pagamento mais popular entre os brasileiros, utilizado por 76,4% da população. A informação é de um levantamento do BC (Banco Central), divulgado em dezembro de 2024. Além disso, a modalidade conta com 171,5 milhões de usuários cadastrados (pessoas físicas e jurídicas) e um total de 816,8 milhões de chaves ativas, conforme o BC. 

Em Mato Grosso do Sul, 54% dos clientes de micro e pequenos empreendedores utilizam o Pix como principal meio de pagamento, de acordo com dados mais recentes levantados na pesquisa “Pulso dos Pequenos Negócios”, elaborada pelo Sebrae/MS em parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

O levantamento também colocou o Estado como líder no ranking nacional no uso do Pix como forma para aquisição de produtos e contratação de serviços no ano de 2023. Foi constatado também que 14% dos consumidores preferem o cartão de crédito, e 9% optam pelo cartão de débito. ​

Em Campo Grande, comércio vê Pix como ‘aliado’

Durante desdobramentos dos impactos do Pix no comércio de Campo Grande, a reportagem do Midiamax apurou que o comércio da Capital enxerga a modalidade de forma positiva nas vendas. Isso porque, conforme relatos ouvidos, o modelo de transação é rápido, seguro, fácil e flexível. 

Na época, o vice-presidente da ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), Omar Aukar, avaliou que, por se tratar de um procedimento prático e pouco burocrático, a transação poderia se tornar aliada, tanto do consumidor quanto do comerciante. “[A Associação] avalia positivamente [os impactos do Pix], trata-se de um procedimento prático, pouco burocrático e rápido”, disse Aukar. 

A comerciante Rosângela Amaro, de 55 anos, declarou na época que a modalidade gerava impactos positivos nas vendas e facilitava transações no dia a dia. “O Pix é sempre positivo pra gente, porque ainda é uma modalidade que, dependendo do total movimentado no mês, não tem taxas”.

O comerciante Everton Castanha, de 48 anos, compartilhou da mesma opinião, e ainda declarou que utiliza o Pix para oferecer troco de forma fácil e nada burocrática, na falta de cédulas e moedas. “Ele é bom, porque é uma forma rápida de pagamento”. 

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