Bandeirantes/MS, 18 de abril de 2024

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2023 ‘demoliu’ recordes climáticos no mundo, diz relatório da Organização Meteorológica Mundial

O ano de 2023 foi marcado por uma verdadeira derrubada de recordes climáticos em escala global, que desencadearam impactos socioeconômicos massivos em todas as regiões do mundo, afetando especialmente as populações mais vulneráveis, conclui um novo estudo da Organização Mundial Meteorológica (OMM) publicado nesta terça-feira (19).

Segundo o relatório “O estado do clima em 2023“, nunca antes o mundo viveu uma situação com tantos extremos e recordes:

-nos níveis de gases de efeito estufa da Terra

-nas temperaturas superficiais do nosso planeta

-de acidificação e calor dos oceanos 

-no nível do mar 

-e da cobertura de gelo na Antártida e no Ártico

“Jamais estivemos tão próximos do limite inferior de 1,5°C do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas”, disse a Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo.

A seguir, entenda o contexto por trás de cada um desses aspectos da crise climática e as suas perspectivas desafiadoras.

Gases do efeito estufa

O aquecimento global é causado pelos gases de efeito estufa que retêm o calor do nosso Sol na atmosfera. Esses gases, como o CO2 (gás carbônico), são liberados quando queimamos combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, algo que não fazíamos antes da Revolução Industrial, pelo menos em larga escala.

Desde então, a quantidade de CO2 na atmosfera aumentou mais de 50% – e continua crescendo. Como consequência disso, o aquecimento global está fazendo o nosso planeta ficar mais quente, o que por sua vez está causando uma série de problemas e intensificando fenômenos naturais, como incêndios, secas e tempestades que estamos vendo cada vez mais pelo mundo.

Segundo o relatório da OMM, as concentrações observadas dos três principais gases de efeito estufa – dióxido de carbono, metano e óxido nitroso – atingiram níveis recordes em 2022, e dados em tempo real de locais específicos também mostram um aumento contínuo em 2023.

Dia e mês mais quentes já registrados

Com todo esse aumento das emissões, não tem outra. Desde o início de julho do ano passado, temos presenciado a quebra constante dos registros históricos de temperatura: uma sequência de novos recordes para os meses mais quentes já registrados.

Em 2023, a temperatura global média foi 1,45 °C (com uma margem de incerteza de  ± 0,12 °C ) acima da média pré-industrial. Isso tornou o último ano o ano mais quente registrado, superando os recordes anteriores de 2016 e 2020.

Com isso, a média decenal de 2014-2023 ficou em 1,20°C (com uma margem de incerteza de  ± 0,12 °C ) acima da média de 1850-1900. Isso quer dizer que o aumento contínuo das concentrações de gases de efeito estufa é o principal impulsionador do aquecimento global, segundo o relatório da OMM.

Os riscos climáticos continuaram a desencadear deslocamentos em 2023, mostrando como os choques climáticos minam a resiliência e criam novos riscos de proteção entre as populações mais vulneráveis.

— Trecho do relatório “O estado do clima em 2023”, da OMM.

Recordes nos oceanos

A temperatura média da superfície do oceano também tem batido recordes desde o ano passado e a OMM prevê que esse aquecimento deve continuar – uma mudança que é irreversível em escalas de centenas a milhares de anos.

No estudo, a organização destaca que o oceano global experimentou uma cobertura média diária de ondas de calor marinhas de 32%, muito acima do recorde anterior de 23% em 2016.

Esse aumento da cobertura e intensidade das ondas de calor marinho foi observado em amplas áreas, como no Atlântico Norte e no Mediterrâneo, um fenômeno que acompanhado pelo aumento da acidificação dos oceanos devido justamente à absorção de dióxido de carbono.

Aumento no nível do mar

Um outro fator preocupante do clima global atualmente é o aumento do nível do mar.

E de acordo com a OMM, em 2023, o nível médio global do mar alcançou o seu pico histórico no registro por satélite (desde 1993), demonstrando o contínuo aquecimento dos oceanos (expansão térmica) e o degelo das geleiras e calotas de gelo.

Com isso, o ritmo de elevação do nível médio global do mar nos últimos dez anos (2014–2023) é mais do que o dobro do ritmo observado na primeira década do registro por satélite (1993–2002).

Ministro de Tuvalu grava vídeo de dentro do mar para ser exibido na COP26. Pequeno conjunto de ilhas no Oceano Pacífico corre o risco de desaparecer nos próximos anos.  — Foto: Governo de Tuvalu/redes sociais

Ministro de Tuvalu grava vídeo de dentro do mar para ser exibido na COP26. Pequeno conjunto de ilhas no Oceano Pacífico corre o risco de desaparecer nos próximos anos. — Foto: Governo de Tuvalu/redes sociais

Cobertura de gelo na Antártida e no Ártico

Outro destaque do relatório da OMM é a cobertura de gelo marinho da Antártida.

De acordo com os dados do estudo, a extensão do gelo marinho antártico alcançou uma mínima histórica absoluta para a era dos satélites (desde 1979) em fevereiro de 2023 e permaneceu em níveis recordes para a época do ano de junho até o início de novembro do último ano.

E o máximo anual em setembro foi de 16,96 milhões de km², aproximadamente 1,5 milhão de km² abaixo da média de 1991-2020 e 1 milhão de km² abaixo do máximo anterior mais baixo.

Além disso, a extensão do gelo marinho ártico permaneceu bem abaixo do normal, com os máximos e mínimos anuais de extensão do gelo marinho sendo o quinto e sexto mais baixos registrados, respectivamente.

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