Bandeirantes/MS, 15 de julho de 2026

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ESTRADAS DA VERGONHA: BANDEIRANTES ARRECADA MILHÕES, MAS PRODUTORES FICAM ATOLADOS NO DESCASO.

BANDEIRANTES MS – O contraste entre as planilhas financeiras da Prefeitura de Bandeirantes e a realidade de quem produz no campo nunca foi tão gritante.

Enquanto os cofres municipais registraram uma arrecadação recorde que ultrapassou os R$ 94 milhões em 2025, a malha viária rural do município agoniza, transformando-se em um gargalo que sufoca a economia local e castiga quem sustenta o PIB da região.


Para piorar o cenário de indignação, o produtor de Bandeirantes não contribui apenas com os impostos municipais. Ele é tributado pelo Fundersul (Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul), uma taxa específica que deveria garantir estradas impecáveis para o escoamento da produção.
Cofres Cheios, Estradas Vazias.


Apesar da arrecadação robusta, o que se vê no interior do município são crateras, pontes precárias e trechos que se tornam intransitáveis ao menor sinal de chuva. De acordo com dados do Portal da Transparência, a saúde financeira do município não justifica a paralisia nas obras de manutenção. Estima-se que, nos últimos 12 meses, Bandeirantes tenha gerado milhões em repasses do Fundersul, recurso que, por lei, possui destinação carimbada para infraestrutura rodoviária.


O Grito de Quem Produz: “Estamos no Limite”
O desespero de quem depende da terra é personificado em relatos de produtores que veem o lucro de um ano inteiro ser “comido” pela manutenção de caminhões quebrados e pelo atraso logístico.
Preservando a identidade de um produtor da região — aqui chamado de Sr. “R” devido ao receio de retaliações políticas — o desabafo é cortante:
“Eu estou quase desistindo. É uma luta diária para conseguir que um caminhão de insumos chegue até a porteira. Para tirar a safra, o custo do frete dobrou porque ninguém quer colocar o caminhão nesse lamaçal. A gente paga Fundersul, paga impostos caríssimos, e o que recebe em troca é abandono. Bandeirantes arrecadou quase 100 milhões, mas parece que o dinheiro some antes de chegar na estrada.”

O Retrocesso Logístico
Imagens enviadas à nossa redação mostram caminhões e máquinas agrícolas dependendo de “socorro” constante de tratores para vencer atoleiros em vias que deveriam ser corredores de exportação. O cenário de precariedade afeta não apenas a soja e o milho, mas também o transporte escolar e o acesso de emergências médicas às propriedades rurais.


Silêncio no Paço Municipal
A nossa redação buscou contato direto com o Gabinete do Prefeito e a Secretaria de Obras para entender por que, com tamanha arrecadação, a manutenção das estradas não é priorizada e qual foi o valor exato aplicado do Fundersul no último ano.


Até o fechamento desta matéria, não recebemos qualquer resposta ou posicionamento oficial por parte do poder público municipal. O espaço segue aberto para esclarecimentos, enquanto o produtor rural segue, solitário, tentando tirar a riqueza do estado de dentro do barro.

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