Bandeirantes/MS, 15 de julho de 2026

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Greve dos ônibus continua nesta quinta-feira (18) em Campo Grande mesmo após intervenção da Justiça

Paralisação segue mesmo após decisão judicial que determinou intervenção no contrato do transporte coletivo.

Os motoristas de ônibus de Campo Grande continuam em greve nesta quinta-feira (18), mesmo após a decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) que determinou a intervenção no contrato do Consórcio Guaicurus. A medida foi anunciada na tarde de quarta-feira (17).

O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano (STTCU) informou que os trabalhadores só retornarão às atividades após o pagamento integral dos salários atrasados.

O Consórcio Guaicurus afirmou que ainda não foi oficialmente notificado sobre a decisão judicial e que, somente após receber a notificação, poderá avaliar a adoção de novas medidas judiciais.

A Prefeitura de Campo Grande também informou que, até o momento, não foi comunicada oficialmente e que ainda não conhece o conteúdo completo da decisão. Segundo o município, assim que tiver acesso ao processo, serão tomadas as providências legais cabíveis.

Decisão da Justiça

Na quarta-feira (17), a Justiça determinou o prazo de 30 dias para que a prefeitura, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) iniciem o processo de intervenção, indiquem um interventor para o contrato do transporte coletivo e apresentem um plano de ação.

Caso a decisão não seja cumprida, foi fixada multa diária de R$ 300 mil. O juiz apontou indícios de má prestação do serviço e omissão do poder público.

A intervenção foi motivada por uma ação popular ajuizada por Lucas Gabriel de Sousa Queiroz Batista. O juiz Eduardo Lacerda Trevisan identificou falhas na execução do contrato por parte do Consórcio Guaicurus e a ausência de medidas efetivas do município para corrigir os problemas do transporte coletivo.

O magistrado concedeu parcialmente o pedido de urgência ao entender que existem indícios suficientes de irregularidades e risco de prejuízo à população caso nenhuma medida seja adotada.

A decisão também levou em consideração as irregularidades apontadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo, que indicou descumprimento sistemático das obrigações contratuais, gestão financeira opaca e indícios de irregularidades graves.

Segundo o juiz, mesmo após as recomendações da CPI, a Prefeitura de Campo Grande não teria adotado medidas para corrigir os problemas, configurando omissão passível de controle judicial.

Impasse e paralisação

O Consórcio Guaicurus afirma que não recebeu todos os repasses financeiros da prefeitura. O município, por sua vez, sustenta que os pagamentos foram realizados.

Diante desse impasse, os motoristas decidiram paralisar as atividades na segunda-feira (15), em protesto contra o atraso nos salários.

Desde o início da greve, mais de 100 mil usuários do transporte coletivo estão sendo diretamente afetados pela falta de ônibus em Campo Grande.

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