A greve dos ônibus em Campo Grande chegou ao quarto dia nesta quinta-feira (18) e continua afetando o transporte coletivo da capital. A paralisação envolve cerca de mil motoristas do Consórcio Guaicurus e impacta diretamente mais de 110 mil usuários do sistema.
O movimento teve início após atrasos no pagamento de salários, vale-benefícios e do 13º salário. Em audiência de conciliação, a Justiça do Trabalho determinou o retorno imediato dos ônibus, mas a categoria rejeitou a decisão e condicionou a retomada ao pagamento integral dos valores cobrados.
O impasse se agravou com a troca de acusações entre a prefeitura e o Consórcio Guaicurus sobre supostas dívidas. Enquanto a empresa afirma que o município deve R$ 39 milhões, a prefeitura nega qualquer pendência. A paralisação já provoca impacto econômico e levou a Justiça a determinar intervenção no contrato do transporte coletivo.
Veja o que se sabe e o que ainda precisa ser esclarecido
- Qual o motivo da paralisação dos ônibus em Campo Grande?
- Qual o valor da dívida alegada pelo Consórcio Guaicurus?
- O que a Prefeitura de Campo Grande afirma sobre os repasses?
- O Consórcio tinha recursos para pagar os motoristas?
- Por que os repasses recebidos não foram usados para pagar salários?
- Qual o impacto econômico da greve no comércio local?
- O que significa a intervenção determinada pela Justiça?
- O que investiga o Ministério Público?
Qual o motivo da paralisação?
A greve foi motivada pelo atraso no pagamento de salários, benefícios e do 13º salário dos motoristas. Mesmo após decisão da Justiça do Trabalho orientando o retorno do serviço, a categoria decidiu manter a paralisação até que o Consórcio Guaicurus efetue os pagamentos.
Dívida alegada pelo Consórcio
O Consórcio Guaicurus afirma que a prefeitura deve cerca de R$ 39 milhões. Segundo a empresa, o valor corresponde à diferença entre a tarifa pública, atualmente em R$ 4,95, e a tarifa técnica, de R$ 6,57, prevista em termo aditivo firmado em 2022.
O que diz a Prefeitura de Campo Grande?
A prefeitura e a Agência Municipal de Regulação (Agereg) contestam a existência da dívida. O município afirma que todos os repasses estão em dia e que, apenas em 2025, mais de R$ 35 milhões foram pagos em subsídios e vale-transporte.
Recursos para pagamento dos motoristas
Durante audiência na Justiça do Trabalho, foi informado que o valor devido aos trabalhadores é de aproximadamente R$ 1,3 milhão. Representantes do Consórcio e da prefeitura afirmaram não possuir recursos imediatos para quitar o montante.
O Consórcio reconheceu que recebeu parte dos repasses, mas informou que os valores foram utilizados para outras despesas do sistema, como combustível e manutenção da frota.
Impacto econômico
A Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) estima prejuízo de cerca de R$ 10 milhões para o comércio e o setor de serviços de Campo Grande, devido à dificuldade de deslocamento de trabalhadores e consumidores.
Intervenção no Consórcio
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou que a prefeitura, junto às agências reguladoras, nomeie um interventor e apresente um plano para normalizar o transporte coletivo em até 30 dias.
Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 300 mil.
Investigação do Ministério Público
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou inquérito civil para apurar possíveis irregularidades apontadas pela CPI do Transporte Público da Câmara Municipal. A investigação busca verificar falhas contratuais e eventuais danos ao patrimônio público.

Foto de ônibus paralisados em fator da greve feita por motoristas



