Bandeirantes/MS, 15 de julho de 2026

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Em meio à greve, Prefeitura questiona Consórcio Guaicurus sobre dinheiro pago pela população

Prefeita Adriane Lopes durante coletiva sobre o transporte público em greve. (Madu Livramento, Midiamax)

Adriane Lopes reforçou que município está em dia com pagamentos ao Consórcio e adiantou valor em dezembro para 13º salário

Para a prefeita Adriane Lopes (PP), o segundo dia de greve dos motoristas do Consórcio Guaicurus é o espelho da má gestão das empresas que comandam o transporte coletivo em Campo Grande. Nesta terça-feira (16), questionou a concessionária sobre o dinheiro pago pela população em forma de tarifas dos ônibus. “Cadê o dinheiro que a população paga?”, indagou.

O Executivo da Capital reforçou que os pagamentos estão em dia com a empresa, que atrasou o pagamento dos trabalhadores. Com a greve no segundo dia, a Justiça aumentou para R$ 100 mil a multa, devido à paralisação dos serviços.

“Essa greve está acontecendo nas maiores capitais do país. Então, hoje, eu acredito que a má gestão da empresa, do seu diretor e da sua equipe técnica é o que está ocasionando a falta de pagamento aos servidores”, disse Adriane.

Além disso, afirmou que “não é o poder público municipal que sustenta a empresa”. Recibos do Executivo desmentem o Consórcio e mostram o pagamento de R$ 35 milhões.

As empresas recebem subsídios dos poderes estadual e municipal, além das tarifas pagas pelos cidadãos. “É a população de Campo Grande que paga a sua passagem para ir e vir trabalhar”, disse Adriane.

Assim, a prefeita destacou que “não é só responsabilidade do município de Campo Grande. Em relação às responsabilidades do município e às obrigações, nós estamos em dia”, pontuou.

Adiantamento ao Consórcio

Os trabalhadores do Consórcio Guaicurus enfrentam atrasos há meses. Neste mês de dezembro, preocupam-se com o vale pago normalmente no dia 20. Contudo, neste mesmo dia 20, devem receber o décimo terceiro — data-limite prevista na legislação.

Enquanto isso, viram o salário atrasar no último mês do ano. A situação de atrasos é recorrente no segundo semestre de 2025. Assim, a Prefeitura de Campo Grande afirma que priorizou o repasse ao Consórcio.

“Nós priorizamos o pagamento do transporte público, tanto é que antecipamos o pagamento que encerra o mês de dezembro, no fim do mês. Antecipamos na semana passada, inclusive para que eles tivessem condições de pagar o 13º”, esclareceu Adriane.

O adiantamento seria reflexo de uma conversa com a diretoria do Consórcio. “Numa reunião com o diretor do Consórcio, sentou amigavelmente e disse para a equipe técnica do município que, se a gente antecipasse os pagamentos das próximas semanas, eles conseguiriam pagar o 13º.”

Adriane lamenta que não houve cumprimento por parte da concessionária. “Infelizmente, o município fez a sua parte, mas a empresa não cumpriu com a dela”, disse, em coletiva de imprensa.

O secretário da Segov (Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais), Ulisses Rocha, também estava presente na nova coletiva. Então, informou que o valor da dívida que o Consórcio cita como sendo da Prefeitura seria “relativo”. Isso porque estão em briga na Justiça, devido ao reequilíbrio que os empresários cobram.

Demonstração da documentação foi reforçada nesta terça-feira (16) e deve ir para as redes sociais da Prefeitura. (Madu Livramento, Midiamax)

Documentação

Documentos publicados no Diário Oficial de Campo Grande e no Diário Oficial do Governo do Estado indicam que o poder público está em dia e atuando dentro do limite fiscal legal. As publicações contestam a alegação do Consórcio Guaicurus de que a crise financeira é motivada por atraso de repasses.

Sobre o convênio entre o Governo do Estado e o consórcio, em julho, a SED (Secretaria de Educação) firmou a subvenção, em caráter de indenização ou compensação, do passe estudantil dos alunos da REE (Rede Estadual de Ensino) que utilizam o transporte público coletivo.

Dessa forma, a medida atende à legislação educacional e fiscal vigente, respeita os princípios constitucionais e “busca garantir o direito à educação, à mobilidade e à modicidade tarifária”. O convênio prevê a transferência de recursos estaduais para custear o transporte de cerca de 15,3 mil estudantes, com base na tarifa homologada de R$ 6,17, considerando experiências anteriores bem-sucedidas e visando ao interesse público.

Conforme a tabela de pagamentos da SED, o subsídio geral previsto na Lei Complementar nº 519/522 está praticamente quitado. Contudo, o convênio do passe estudantil ainda prevê o pagamento de R$ 4,86 milhões.

O cronograma prevê o pagamento de R$ 6,6 milhões, entre julho e agosto de 2025; e de R$ 3,3 milhões, entre janeiro e fevereiro de 2026. O valor total do convênio é de R$ 13.470.573,90.

Convênio detalhado do município com o Consórcio em 2025. (Reprodução)

Prefeitura

Outro documento indicado pela Prefeitura na prestação de contas foi publicado em maio de 2024 e determina que o valor da “subvenção econômica fica limitado ao valor de até R$ 19.536.000,00 por exercício, a serem pagos em parcelas mensais, limitadas em até R$ 1.776.000,00, a critério do Poder Executivo municipal, mediante aferição em estudo de equilíbrio econômico-financeiro elaborado pela Agereg e mediante prévia apresentação de relatório mensal dos gastos à Semed (Secretaria Municipal de Educação) e à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social)”.

Ainda conforme o município, somente este ano, a Prefeitura já pagou mais de R$ 35 milhões ao Consórcio Guaicurus, sendo R$ 19 milhões em repasses e mais R$ 16 milhões de vale-transporte dos servidores.

“Ainda assim, a concessionária, que é uma empresa privada, deixa de honrar os compromissos que têm com seus funcionários e causa prejuízos a toda a população”, disse em nota.

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