Por Jornal Midiamax – 16/11/2025 – 08:56

No dia 16 de novembro de 2023, uma intensa nuvem de fumaça tomou conta do céu e anunciava a tragédia que mudaria a história da Favela do Mandela, em Campo Grande. O incêndio, considerado um dos maiores já registrados em comunidades da cidade, destruiu cerca de 150 barracos e impactou profundamente a vida de aproximadamente 500 pessoas.
Um dia que marcou para sempre
A fumaça era visível de bairros vizinhos, enquanto equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana cercavam o local para evitar que o fogo se espalhasse ainda mais. Famílias inteiras correram para salvar o que podiam: móveis, roupas, botijões de gás enquanto muitos só conseguiram sair com a roupa do corpo.
Embora nenhum morador tenha sido ferido, animais de estimação morreram carbonizados e várias famílias perderam todos os documentos. Em meio ao pânico, uma única pergunta ecoava entre as cinzas: “Para onde vamos agora?”
Como tudo começou
A causa exata do incêndio nunca foi totalmente esclarecida. Entre as principais suspeitas estão:
- Curto-circuito devido à fiação precária e sobrecarregada;
- Possível ato intencional iniciado por usuários de drogas;
- Combustão rápida devido ao grande número de materiais inflamáveis.
O Corpo de Bombeiros utilizou mais de 40 mil litros de água para controlar o fogo, que se espalhou rapidamente do centro para o fundo da comunidade.
Meses vivendo em tendas
Após o incêndio, o Exército Brasileiro montou tendas que serviram de moradia provisória por até oito meses. A Energisa disponibilizou energia, enquanto a Prefeitura forneceu suprimentos básicos. As condições eram duras: calor extremo, chuvas, poeira e lama fizeram parte da nova rotina dos moradores.
Realocação e novas moradias
A Emha confirmou que todas as 181 famílias foram reassentadas em moradias definitivas construídas em tempo recorde e distribuídas pelos bairros Iguatemi I, Iguatemi II, José Tavares do Couto e Talismã.
O investimento total foi de R$ 15 milhões. As famílias contempladas pagam 10% de um salário mínimo mensal, dividido em até 30 anos.
Apesar da conquista, moradores relatam problemas estruturais nas novas casas, como rachaduras e telhas frouxas. Ainda assim, muitos afirmam que o importante é ter um lar seguro e longe do cenário marcado pela tragédia.
“A dor é inesquecível”, diz líder comunitária
Greiciele Naiara, conhecida como Greici, foi líder da comunidade por sete anos e lembra com clareza do dia da tragédia. Ela estava trabalhando quando recebeu a ligação da mãe: “A dor daquele dia é inesquecível”, relata.
Mesmo não tendo perdido sua própria casa, Greici ficou 15 dias dormindo nas tendas para apoiar os vizinhos. “Sofri junto com eles. Era o meu dever como líder e como humana.”
Hoje, as famílias tentam seguir em frente. O terreno da antiga comunidade, localizado em área de preservação permanente, está sendo cercado e reflorestado por determinação do Ministério Público.
Fontes:
- Jornal Midiamax – Reportagem de Karina Campos
- Prefeitura Municipal de Campo Grande
- EMHA – Agência Municipal de Habitação



